São quase dizeres, quase versos, quase algo que valha a pena.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Silêncio

Desperta, homem, o sol se enfurna devagar na brecha entre as cortinas. Fala que o teu coração amargou e secou e morreu e inexistiu, e a tua vontade de partir era maior que qualquer outra. Fala das tuas despedidas, dos olhos marejados e dos copos sempre cheios, das garrafas sempre vazias, das noites e dias ébrios.

Fala que engordou, que fez anos, que permaneceu. Comenta que despontaram um ou outro fio branco, fala que o calor voltou e o calar se move, se torna, se muda.

Fala da pobre vítima. Do coitado. Do errôneo, do iletrado. Do lamentar, do esgar, do negar. Fala do não, que a todas as coisas te negaste.

Fala que quase morreste. Quase partiste. Quase calaste tuas quase tentativas de ainda sobreviver. Tuas quase frases, palavras... teus quase versos.

Dá bom dia, homem. Há muito que viver.