São quase dizeres, quase versos, quase algo que valha a pena.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Horror

Eu te amo bem mais do que te amo.
É mais que eu já pude antes te dizer.
Afasto tua mão em desengano:
Não me afagues no meu enlouquecer.

É no meu íntimo que tuas vísceras dirão:
"Nós te amamos, agora nos dilaceras!"
É do teu sangue que sofrerei a transformação
Em horror de muito mais do que mil feras!

Eu sou demônio e corpo, monstro e dentes,
Monstro faminto de teu ódio e tua doçura.
O seu medo me excita, entrementes...
Quero pedaços da tua pele, tua alvura!

Abro escaras nas tuas costas com minhas garras
Torno em lânguidas cortinas tuas vestes.
Linda princesa que se debate em amarras,
Pobre mendiga que suplica que me queres.

É preciso que eu de amante vire sádico
Para doer-me todo o amor que me procura.
Hei de sentir de forma humana, verdadeira,
Quando não mais cindir-me em homem e loucura.